quarta-feira, 21 de julho de 2010

A Explosão da Plataforma da BP no Golfo do México

A plataforma Deepwater Horizon, alugada pela BP, explodiu em 20 de abril e só em 15 de julho se conseguiu estancar o vazamento de petróleo pela primeira vez. Desde então, mais de 600 milhões de litros vazaram para o Golfo do México. Some-se a isto, milhões de litros de dispersantes tóxicos foram utilizados para diluir o óleo. Este é sem dúvidas o maior desastre ambiental, afetando a economia de cinco estados e prejudicando ecossistemas delicados.
O impacto na indústria pesqueira americana é enorme. As pessoas estão com medo de consumir pescado e até mesmo de pescar. Como consequência o consumo de peixes e camarões caiu pela metade na região. Sua recuperação poderá levar décadas. Isto, todavia, não afetará o consumo de camarão como um todo. 90% do camarão consumido nos Estados Unidos é importado. Não haverá, portanto, nenhum ganho marginal importante de mercado para os produtores de camarão da América do Sul ou da Ásia. Mesmo assim, a produção de camarões em cativeiro deve sair fortalecida desse triste episódio.
Desde a explosão da plataforma, as autoridades estão tentando determinar a causa da morte de diversos animais no Golfo. O resultado disto irá determinar quantos milhões a BP deverá desembolsar em indenizações, que costumam ser bem mais caras no caso de espécies que encontram-se em processo de extinção.
Para nós carcinicultores, chama atenção a autópsia de uma pequena tartaruga marinha realizada na Universidade da Flórida. Possivelmente “morta” em consequência dos eventos ocorridos no Golfo do México.
Durante a autópsia, o veterinário descobriu que sua última refeição tinha sido camarão que não faz parte da dieta normal desta espécie em particular. Não havia sinal de contaminação por óleo. As suspeitas, então, caíram sobre a pesca comercial de camarão. Deveria haver algo de errado com os petrechos de pesca utilizados, quer dizer com os TEDs (turtle excluder devices). Estes dispositivos permitem o escape das tartarugas quando apanhadas pelas redes de arrasto dos barcos camaroeiros. Sem eles, as tartarugas morrem por afogamento ao ficarem presas nas redes. As evidencias mostram que a mortalidade, por afogamento, de tartarugas sempre aumenta quando inicia-se a pesca do camarão no Golfo. De maneira fraudulenta os teds são desabilitados.
Isto chega a ser vergonhoso para uma indústria que afirma produzir de modo mais ecologicamente do que os aquicultores, e que taxou meio mundo com alegativa de dumping em uma arrogante tentativa de mascarar a sobrepesca e seus altos custos de produção.
Isto, sem falar no custo em vidas humanas ocasionado na atividade pesqueira. Os pescadores estão entre as categorias com os maiores índices de acidentes e mortes no trabalho, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A pesca comercial de camarão é de longe, a mais perigosa. Muito mais do que aquelas pescarias de caranguejo no mar de Bering que costumam ser documentadas no canais de TV a cabo. Na última década o total de mortes chega a 55, contra 12 na pesca de caranguejo, como conclui a pesquisa realizada pelo National Institute of Occupational Safety and Health, cujo link para o relatório é este: http://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/mm5927a2.htm?s_cid=mm5927a2_e Quais seriam os números para o Brasil, onde segundo a mesma OIT a informalidade na pesca chega a 87%?









Um comentário:

  1. É um desastre incalculável...infelizmente!
    Muito boa a postagem...escreva mais ;)
    Beijos

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