quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Notas Sobre WSSV (White Spot Syndrome Virus)
Estão descritos na literatura, cerca de 20 tipos de vírus para camarão. Dentre eles está o WSSV que é, hoje, a maior ameaça ao cultivo de camarões, pois é letal a todas espécies cultivadas podendo causar 100% de mortalidade em pouco mais de uma semana. Perde em letalidade apenas para o Yellow Head Virus (YHV), de ocorrência geográfica limitada e que tem causado grandes mortalidades apenas na Tailândia. O WSSV pode ser encontrado em vários crustáceos, não somente nos camarões peneídeos. Na verdade quase uma centena de espécies de artrópodes ou são hospedeiros ou portadores do vírus.
Mortalidades por doenças causam prejuízos anuais da ordem de bilhões de dólares à indústria do cultivo de camarão. Vírus são os responsáveis por 60% destas mortalidades. É muito difícil controlar um surto de WSSV. Não existem vacinas ou tratamento que possam combater o vírus.
Mesmo com os mais rigorosos protocolos de biossegurança e com a utilização de pós-larvas provenientes de estoques de reprodutores SPF (Specific Pathogen Free) as medidas de biossegurança são difíceis de implementar completamente e não conseguem impedir que o vírus se manifeste quando as condições lhes são favoráveis. Os cultivos são realizados em viveiros a céu aberto e ocorrem frequentes trocas de água com o ambiente externo. Além disto, a transmissão do vírus pode ocorrer tanto horizontalmente através da água, por organismos portadores e canibalismo em camarões infectados, ou verticalmente, a partir dos reprodutores infectados.
O primeiro relato de uma epidemia data de 1992, em Taiwan. Daí em diante, a doença espalhou-se rapidamente pelo mundo. Supõem-se que o vírus foi transportado da Ásia para a Américas em camarões congelados para fins de comércio. A última ocorrência em uma área ainda livre de vírus foi em 2005, no sul do Brasil.
A doença manifesta-se em condições de estresse ambiental, principalmente por temperatura. A temperatura é, certamente, um importante fator ambiental para os camarões, com influência direta sobre o metabolismo, crescimento, ecdise e consumo de alimento. Na faixa ótima de temperatura para o Penaues vannamei de 27 °C a 30 °C as mortalidades são menores ou até inexistentes. Embora este mecanismo ainda não esteja totalmente esclarecido, é fato que altas temperaturas impedem o início da doença e reduzem significativamente as mortalidades quando comparados com baixas temperaturas, menores que 27 °C. Isto explica a maior ocorrência de epizootias nas épocas de temperaturas mais baixas.
No momento não restam muitas alternativas ao carcinicultor caso a doença manifeste-se durante o cultivo. O manejo adequado: qualidade de água, densidade de estocagem, aeração, qualidade das pls e da ração produz resultados positivos nas doenças causadas por bactérias ou parasitas, o que não é o caso em ataques virais.
Referências
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