quinta-feira, 26 de maio de 2011

Alimento e Energia

Ainda este ano atingiremos a marca sete bilhões de habitantes neste nosso planeta Terra. E em 2050 seremos nove bilhões. O grande desafio será alimentar essa população e fornecer energia limpa para a manutenção dos padrões atuais de vida. Teremos que fazer isto de forma sustentável, ou seja reduzindo o ritmo de extração dos, já escassos, recursos naturais que proporcionam o crescimento econômico. Como existem países que não pensam em reduzir seus padrões de consumo, nem suas taxas de crescimento, certamente teremos uma elevação de preço das commodities, em especial os alimentos. No ano de 2008 passamos por uma séria crise econômica que elevou o preço dos alimentos no mundo todo e reduziu o poder de compra da grande maioria da população dos países em desenvolvimento, diminuindo o seu acesso a compra de alimentos. A FAO, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação já informou que em 2011 os preços dos alimentos já estão mais elevados do que em 2008.
Em 2009, o crescente número de famintos no mundo já passava de um bilhão de pessoas. 16% da população dos chamados países em desenvolvimento vive com fome. Muito além da meta de 10% que deveria ser alcançada já em 2015. Para chegarmos em 2050, mantendo as coisas como estão seria necessário incorporar à agricultura mais 900 milhões de hectares. É possível que não tenhamos disponibilidade de tanta terra assim. Isto é pouco mais que um Brasil e meio, que possui 550 milhões de hectares com potencial agrícola. Há estimativas que as terras disponíveis para a agricultura no mundo não passem de 100 milhões de hectares. A saída é o aumento da produtividade nas terras existentes, sem descuidar dos impactos ambientais.
 No que se refere à questão energética, os biocombustíveis  vêm surgindo como uma das opções viáveis para atender a demanda crescente por energia. Todavia, sua produção demanda grandes volumes de água doce e ocupa terras que poderiam ser destinadas à produção de alimentos. Nesta equação que transforma carboidratos em hidrocarbonetos o resultado tem sido sempre um aumento de preço dos alimentos.
Pelo que foi dito acima, o ideal, seria poder conciliar a produção de alimento com a produção de energia na forma de biocombustível. A aquicultura parece ser uma das poucas atividades que tem potencial para fazer isto com certa facilidade.
Quanto à produção de alimentos a aquicultura vem cumprindo seu papel. Contribui com quase 40% do pescado que é consumido e a tecnologia atual é suficiente para garantir a demanda prevista para os próximos 20 anos, podendo tornar-se na mais sustentável fonte de proteínas para a alimentação humana. A produção de carne resulta na utilização de grandes quantidades de água, terra, energia e emissão de gases de efeito estufa, e ao mesmo tempo os estoques pesqueiros estão em decadência.
Fechando o ciclo da produção de alimentos e biocombustíveis através da aquicultura encontramos a salicornia, uma planta halófita, isto é, pertence àquele grupo de plantas que são tolerantes à elevadas salinidades tanto do solo quanto da água. Suas sementes contem 30% de óleo que podem ser extraídos de modo similar ao utilizado na prensagem de outras sementes oelaginosas. Aqui no Brasil a planta foi encontrada na região de Santa Catarina, mas há informações que pode ser localizada em toda a costa atlântica das América do Sul, da Venezuela ao Uruguai.
Um grupo de estudantes da Universidade do Texas A&M está realizando pesquisas no sentido de integrar o cultivo de camarão com a produção de biocombustível utilizando a salicornia. Os efluentes do cultivo, rico em nutrientes, seria utilizado como fertilizante para as plantas. Temos assim uma maneira de minimizar os possíveis impactos causados por estes efluentes nos estuários. Como a salicornia cresce facilmente em ambientes estuarinos e salgados, poderia ser cultivada em áreas com pouca disponibilidade de água doce. Neste caso, pelo menos, fica eliminado o dilema entre a produção de alimentos e biocombustíveis. Lógico que isto é apenas um primeiro passo  de um longo caminho deverá mostrar no final que esta forma de produção pode produzir biocombustível a preços competitivos e com uma menor pegada de carbono.

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